Acordei às 7h da manhã com o celular despertando, sempre tocava nesse horário porque era quando ele levantava para trabalhar. Olhei para o outro lado da cama e ele estava lá, acordado, mexendo no celular. Eu tentei abraça-lo, mas parecia que ele estava realmente chateado comigo, pois não me correspondia e me ignorava de um jeito que fazia meu coração doer. Uma dor tão grande e profunda que fazia as lágrimas saírem sem nenhum esforço. Eu tentei, tentei pedir perdão, tentei dar bom dia e desejar bom trabalho, mas ele levantou, tomou banho, vestiu-se e saiu sem dizer uma palavra. Sem me dar um beijo na testa como ele sempre faz quando sai pra trabalhar. Tudo bem, eu pensei, quem sabe quando ele voltar para almoçar tudo volte a ficar bem.
Levantei às 8h, respirei fundo e decidi que não ia permitir que lágrimas escorressem durante aquela manhã fria. Calcei o chinelo dele, que ficava enorme no meu pé, e sorri ao lembrar que ele adorava me ver daquele jeito. Fiz café e tomei pensando em nós. Pensei nos meus erros, em como a minha insegurança o machuca, pensei em como era bom acordar ao lado dele e eu não queria que isso acabasse assim. Uma história tão bonita como essa não poderia terminar de repente, afinal, temos tantos sonhos para realizar juntos. De cabeça baixa, a única coisa que eu pedia era pra que ele não me deixasse. Dormir naqueles braços era a melhor coisa ao final do dia, naquele momento tudo ficava bem, e enquanto suas mãos acariciavam meus cabelos eu podia sentir o amor dele por mim. Eu queria continuar lutando ao lado dele, continuar cuidando dele, me preocupando quando ele saísse sem blusa num dia frio, assistir filme numa noite de sábado e rir de coisas bobas. É muito melhor ser feliz ao lado dele.
Quando ele chegou, tentei novamente pedir perdão, mas ele continuava na defensiva, partindo meu coração mais uma vez com aquele jeito de falar. O que eu podia fazer? Obrigá-lo a ficar? Quem sou eu para fazer isso? A única coisa que pude fazer foi pedir para que ele se lembrasse de todos os momentos que vivemos juntos, das nossas viagens, da nossa luta diária nessa cidade tão grande. Durante muito tempo ficamos em silêncio, e ele não parava de me olhar. E eu, com os olhos cheios de lágrimas, não conseguia dizer mais do que um “eu te amo”, tímido e com medo de não ouvir resposta.
Quando ele se levantou e começou a arrumar as malas achei que a vida iria acabar. Ele iria me deixar? Iria deixar pra trás a mulher da vida dele? Ou será que eu não sou mais essa mulher? Puxei-o pelo braço e pedi para que ele olhasse bem nos meus olhos e dissesse que não me amava mais. Ele me abraçou. Passou a mão na minha bochecha e deslizou o rosto dele no meu, até chegar à boca para me beijar. Aquele beijo fez meus olhos encherem de lágrimas, sim, ele ainda me amava e não iria desistir de mim. Chegou perto do meu ouvido e sussurrou: “Eu vou cuidar de você!”. Eu sorri e ficamos juntos, abraçados por horas.
Talvez estejamos sendo o que há de melhor, sendo o que dá pra fazer. Feitos um para o outro, feitos pra durar, feito a música do Engenheiros do Hawaii sabe? Pois é... “Amor, vem cá, diz que me ama?”